.Para muitos jovens em Portugal, comprar a primeira casa tornou-se um desafio não apenas pelo preço dos imóveis, mas também pela necessidade de reunir uma poupança significativa para a entrada.

A garantia pública no crédito à habitação para jovens veio alterar esse cenário, permitindo, em determinadas condições, que os bancos possam financiar até 100% do valor da transação de uma primeira habitação própria e permanente.

Mas existe uma data importante no calendário: 31 de dezembro de 2026.

Se está a pensar comprar casa e tem até 35 anos, este é o momento certo para perceber como funciona esta medida, quais são os requisitos e o que deve fazer antes de avançar.

O que é a garantia pública para jovens?

A garantia pública é uma medida que permite ao Estado prestar uma garantia ao banco, podendo facilitar o acesso a um financiamento elevado para a compra da primeira habitação própria e permanente.

Na prática, a medida permite que o financiamento possa situar-se entre 85% e 100% do valor da transação do imóvel, desde que sejam cumpridas as condições previstas e o banco aprove o crédito.

É importante esclarecer uma ideia frequentemente associada a esta medida:

“Crédito a 100%” não significa casa oferecida pelo Estado.

O empréstimo continua a ser concedido por uma instituição bancária e o comprador continua responsável pelo pagamento do capital, juros e restantes encargos.

A garantia pública funciona como uma proteção adicional para o banco, podendo cobrir até 15% do valor da transação.

Quem pode beneficiar?

O regime destina-se, em termos gerais, a jovens entre os 18 e os 35 anos, inclusive, que cumpram os requisitos definidos para a medida.

Entre as condições estão:

  • Ter domicílio fiscal em Portugal;
  • Ter até 35 anos;
  • Não ser proprietário de outro imóvel habitacional;
  • Pretender adquirir a primeira habitação própria e permanente;
  • Cumprir os limites de rendimento aplicáveis;
  • Ter a situação fiscal e contributiva regularizada;
  • O valor da transação do imóvel não ultrapassar 450.000 euros;
  • Todos os compradores terem de ser mutuários e cumprir os requisitos de elegibilidade.

Além destas condições, existe outro ponto fundamental: o banco continua a fazer a sua própria avaliação de risco.

Ou seja, cumprir os requisitos da garantia pública não significa que o crédito seja automaticamente aprovado.

Até quando é possível utilizar esta medida?

Esta é uma das questões mais importantes para quem está a planear comprar casa.

Atualmente, os contratos de crédito abrangidos pela garantia pública têm de ser celebrados até 31 de dezembro de 2026.

Isto significa que não basta começar a procurar casa no final do ano.

É necessário considerar todo o processo:

  1. Analisar a capacidade financeira;
  2. Obter pré-aprovação ou aprovação de crédito;
  3. Procurar um imóvel adequado;
  4. Fazer uma proposta;
  5. Realizar a avaliação bancária;
  6. Tratar da documentação;
  7. Formalizar o contrato de crédito dentro do prazo aplicável.

Por isso, quem pretende beneficiar da medida deve evitar deixar todo o processo para os últimos meses.

O imóvel também tem de cumprir requisitos

Não basta o comprador ser elegível.

O imóvel adquirido através deste regime deve destinar-se à primeira habitação própria e permanente e o valor da transação não pode ultrapassar os 450.000 euros.

Existe ainda uma particularidade importante: para efeitos do regime, o valor da transação corresponde ao preço de aquisição ou, se for inferior, ao valor da avaliação considerado no momento da contratação.

Isto torna a avaliação bancária especialmente relevante.

Um exemplo simples

Imagine que encontra uma casa por 300.000 €.

Se a avaliação bancária for igualmente de 300.000 €, poderá existir, caso todos os restantes requisitos sejam cumpridos e o banco aprove o financiamento, possibilidade de financiamento até ao valor total da transação.

Mas se o imóvel for comprado por 300.000 € e a avaliação considerada pelo banco for inferior, a situação de financiamento pode ser diferente.

Por isso, o preço anunciado de um imóvel não deve ser analisado isoladamente.

O maior benefício: reduzir a barreira da entrada

Para muitos jovens, o principal obstáculo à compra não é necessariamente a prestação mensal.

É conseguir reunir o capital necessário para avançar com a compra.

Um financiamento elevado pode reduzir significativamente a necessidade de capital próprio para a aquisição, embora existam sempre custos e condições a considerar.

É essencial fazer contas antes de assumir qualquer compromisso.

Entre os aspetos a analisar estão:

  • Prestação mensal;
  • Taxa de juro;
  • Prazo do empréstimo;
  • Seguros;
  • Comissões bancárias;
  • Impostos e outros custos aplicáveis;
  • Despesas relacionadas com a compra;
  • Margem financeira disponível depois da aquisição.

A garantia pública pode facilitar o acesso ao crédito, mas não elimina a necessidade de uma análise financeira responsável.

5 passos para quem quer comprar casa em 2026

Se tem até 35 anos e está a pensar comprar a sua primeira casa, comece por organizar o processo.

1. Conheça o seu orçamento

Antes de procurar imóveis, saiba quanto pode efetivamente pagar por mês.

2. Faça uma análise de financiamento

Compare propostas e perceba qual o montante que poderá ser financiado.

3. Defina uma zona e um tipo de imóvel

Na Costa de Prata, por exemplo, existem diferentes mercados, preços e tipologias. Ter critérios claros ajuda a evitar perder tempo com imóveis que não correspondem ao orçamento.

4. Não deixe o processo para o fim do ano

O prazo de 31 de dezembro de 2026 torna o planeamento particularmente importante.

5. Procure acompanhamento profissional

Comprar casa envolve decisões financeiras, documentação, negociação e análise do próprio imóvel.

Ter acompanhamento imobiliário e financeiro adequado pode ajudar a tornar o processo mais organizado e transparente.

E depois de 2026?

A data atualmente prevista para a celebração dos contratos abrangidos pelo regime é 31 de dezembro de 2026.

Qualquer alteração futura ao regime deverá ser acompanhada através das fontes oficiais.

Por isso, quem reúne atualmente as condições e pretende comprar a primeira casa não deve assumir que a medida continuará disponível depois desta data nas mesmas condições.

Mais importante do que agir por impulso é começar já a preparar o processo.

Uma compra de casa deve ser tomada com informação, contas bem feitas e conhecimento das condições concretas do financiamento.

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Leila Santos
Consultora Imobiliária — MaisConsultores TEAM
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